BANDEIRA, Moniz, MELO, Clóvis, ANDRADE, A . T. O Ano Vermelho: A Revolução Russa e seus Reflexos no Brasil. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.
A preocupação central dos Autores é analisar de que forma a Revolução Socialista Russa de outubro de 1917 repercutiu no Brasil e em que medida esse acontecimento condicionou mudanças importantes no movimento socialista e operário brasileiro. A obra se encerra exatamente analisando o declínio da influência anarcosindicalista, que até então mantinha sua hegemonia no pensamento socialista e ação operária em nosso país, e a formação do Partido Comunista Brasileiro (na época Partido Comunista do Brasil) em março de 1922. No entanto, nos capítulos iniciais, os Autores tiveram a preocupação de apresentar os antecedentes históricos ( a partir do segunda metade do século XVIII ) analisando os principais fatos e momentos das lutas do povo brasileiro como a Inconfidência Baiana de 1798, a revolta dos pescadores em Recife em 1815, primeiras manifestações do socialismo utópico, primeiras organizações artesanais, a imprensa operária e socialista, a ação anarquista.
A estrutura da obra é a seguinte: - Pré-história, - Rússia e Brasil, - A Guerra, - 1917, - Rússia: de março a novembro, - O perigoso sr. Lênin, - Dez dias que abalaram o mundo, - O soviete do Rio, - Anarquismo, socialismo e comunismo, - O programa comunista dos libertários, - Sob o signo do maximalismo, - A revolução mundial, - Escritores e revolucionários, - O declínio, - A grande cisão, - Formação do PCB.
Como Apêndice, são incluídos artigos do Astrojildo Pereira, Lima Barreto, Afonso Schmidt, além de depoimentos, entrevista, Manifesto da União Maximalista e o Relatório Canellas.
CHACON, Vamireh. História das Idéias Socialistas no Brasil. 2ª ed., Fortaleza; Rio de Janeiro: UFC; Civilização Brasileira, 1981.
Vamireh Chacon apresenta um histórico das idéias socialistas no Brasil desde o século XIX aos inícios da década de 60 deste século. Nos seis primeiros capítulos o Autor procura identificar a presença das idéias socialistas e/ou socializantes em torno da "geração quarante-huitarde" pernambucana ( Inácio Bento de Loyola, Afonso d'Albuquerque Melo, Romualdo Alves de Oliveira, João de Barros Falcão de Albuquerque Maranhão, Antônio Vicente do Nascimento Feitosa, Felipe Lopes Neto, Lopes Gama, Frei João Capistrano de Mendonça ), detendo-se mais pormenorizadamente em Antonio Pedro de Figueiredo ( o "Cousin Fusco"), Abreu e Lima e Borges da Fonseca, registrando ainda as influências das idéias de dois franceses chegados ao Brasil no século XIX: Louis-Léger Vauthier e Henrique Augusto Milet (!). Posteriormente Chacon trata de diversos aspectos da evolução do pensamento social ( e não só socialista ) que vai do saint-simonismo ao cristianismo social, passando pelo marxismo, anarquismo, social-democracia e nacionalismo.
Estão presentes nessa obra, embora sem maior profundidade de análise de seus pensamentos, diversos intelectuais brasileiros: Mauá, Aprígio Guimarães, Clóvis Beviláqua, Tobias Barreto, Silvério Fontes, Astrojildo Pereira, Joaquim Pimenta, Lima Barreto, Caio Prado Jr., Rui Facó, Alberto Pasqualini, Anísio Teixeira, Fernando de Azevedo, Manuel Bonfim, Monteiro Lobato, Álvaro Vieira Pinto, Azevedo do Amaral, Cândido Mendes, Jackson Figueiredo e Alceu Amoroso Lima, entre outros.
A obra de Chacon serviu de fonte obrigatório para autores que depois dele trataram da história das idéias ( não dos movimentos) socialistas no Brasil, sobretudo na fase inicial das manifestações dessas idéias em nosso país.
Seus 14 capítulos estão assim definidos: 1. Aparecimento das Idéias Socialistas no Brasil, 2. A Geração "Quarante-Huitarde" em Pernambuco, 3. O Ideólogo de 1848: Antônio Pedro de Figueiredo, 4. O Romântico de 1848: Abreu e Lima, 5. O Agitador de 1848: Borges da Fonseca, 6. Dois "Quarante-Huitards" Franceses no Brasil, 7. O Saint-Simonismo, 8. Primeiros Ecos do Marxismo, 9. Anarquismo e Sindicalismo, 10. O Marxismo até Hoje, 11. A Social-Democracia, 12. A Encruzilhada do Nacionalismo, 13. Os Cristãos e os Movimentos Socialistas, 14. Algumas Lições.
No final da presente edição, apresenta posfácios preparados por Carlos Guilherme Mota, Hélio Jaguaribe e José Honório Rodrigues.
KONDER, Leandro. As Idéias Socialistas no Brasil. 2a. ed., São Paulo: Moderna, 1995.
O livro de Leandro Konder, pelo próprio objetivo da série "Coleção Polêmica" lançada pela Editora Moderna, não é uma obra destinada ao círculo restrito de nossa intelectualidade; não é uma obra de acadêmico para acadêmicos. Destinada ao grande público, o Autor apresenta a "evolução" das idéias socialistas no Brasil desde o século XIX aos nossos dias ( décadas de 70 e 80).
Procura inicialmente situar historicamente o sentido do socialismo desde suas origens à IVa. Internacional. Feito isto, o Autor acompanha a trajetória do pensamento socialista no país a partir da "geração quarante-huitarde", apresenta a atuação dos anarquistas, a criação do Partido Comunista do Brasil, as influências do stalinismo e do trotskismo sobre os pensamentos e as ações dos comunistas brasileiros.
Acompanha os principais momentos do socialismo no nosso país, de golpe a golpe ( do golpe de 1937 ao golpe de 1964) salientando não só a atuação do PC mas apresentando também as tendências presentes no Partido Socialista Brasileiro (PSB) e na Juventude Universitária Católica (JUC).
No período da ditadura mais recente ( a de 1964), a crise que se aprofunda ( ela já vem acontecendo desde a década de 60), nos quadros das concepções político-ideológicas, fazem surgir uma profusão de tendências, de alternativas no mundo das idéias e a nível de organização quanto às táticas revolucionárias: POLOP, POR, PRT, POC, VPR, VAR-Palmares, ANL, PCBR, etc.
No final Leandro Konder apresenta um novo quadro da esquerda brasileira, evidentemente sob nova conjuntura, no qual se inserem o PT, PC do B, PCB, PSB e PDT.
Um dado importante nessa obra é o investimento que o Autor faz no mundo da cultura brasileira, sob a perspectiva das influências das idéias socialistas no pensamento, nas manifestações artísticas e literárias, em novos projetos culturais em vários momentos da história nacional. Aí desfilam Euclides da Cunha, Fábio Luz, Lima Barreto, José Oiticica, Paulo Freire, além do CPC da UNE.
O plano da obra é o seguinte: 1. O que tem sido o socialismo, 2. As idéias socialistas chegam ao Brasil, 3. Os comunistas brasileiros, 4. Do golpe de 1937 ao golpe de 1964, 5. Da ditadura militar aos nossos dias.
LINHARES, Hermínio. Contribuição à História das Lutas Operárias no Brasil. 2a.ed., São Paulo: Alfa-Ômega, 1977.
A obra de Linhares é referência obrigatória a todos aqueles que se dedicam ao estudo histórico do movimento socialista e operário no Brasil. Em ordem cronológica, o Autor apresenta a imprensa operária e socialista, os principais movimentos sociais rurais e urbanos, as greves operárias, Congressos e Organizações operárias e socialistas, cobrindo os anos de 1823 a 1954.
Obra pioneira nos moldes em que foi elaborada, "Contribuição à História das Lutas Operárias no Brasil" atinge perfeitamente seu objetivo. Mas é preciso um pouco de cautela, pois alguns periódicos não deveriam figurar nessa obra. São jornais monarquistas, conservadores, liberais, que nada têm a ver nem com o socialismo nem com as lutas operárias no Brasil.
O Livro está estruturado da seguinte forma: Introdução, História, Conclusão.
MORAES FILHO, Evaristo de. O Socialismo Brasileiro. Brasilia: Universidade de Brasilia, Câmara dos Deputados. 1980 (?)
Trata-se de uma Antologia selecionada pelo Autor, da qual fazem parte discursos e artigos publicados em livros e jornais que versam sobre o socialismo no Brasil, além de manifestos e programas de partidos operários e socialistas que atuaram no país até a década de 30 deste século. Dentre os materiais selecionados não constam os produzidos pela intelectualidade anarquista e comunista, nem manifestos e programas relativos a essas duas tendências do movimento socialista no Brasil.
A Antologia é precedida por uma Introdução preparada por Evaristo de Moraes Filho que apresenta um quadro da situação política e econômica dos primeiros anos do regime republicano, acompanhando a partir daí o movimento socialista sob as várias tendências, desde os primeiros anos da República até a década de 40. Dentre os autores (socialistas, cooperativistas, reformadores sociais, liberais progressistas, trabalhistas), que Evaristo de Moraes Filho comenta e/ou sobre os quais elabora alguns traços biográficos, encontram-se Vicente Ferreira de Souza, Euclides da Cunha, José Veríssimo de Matos, José de Medeiros e Albuquerque, Antonio Evaristo de Moraes, Antonio Piccarolo, Nicanor Queiroz do Nascimento, Maurício Paiva de Lacerda, Deodato da Silva Maia, Afonso Henriques de Lima Barreto, Joaquim Pimenta, Agripino Nazaré, José Saturnino de Brito, José Pereira da Graça Aranha, Manoel Bonfim, Edgardo de Castro Rebelo, João Mangabeira, Almáquio Gonçalves Diniz e Hermes Lima.