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REVOLUÇÃO DE LIBERTAÇÃO NACIONAL

Embora a maioria dos países coloniais e dependentes, tenham conquistado a independência política através dos Movimentos de Independência Nacional que se verificaram da segunda metade do século XIX à primeira metade do século XX, o neocolonialismo, como nova forma de opressão das potências imperialistas, intensificou a exploração dos países que se libertaram da dominação colonial, através da atuação dos monopólios estrangeiros e do capital financeiro, bem como das pressões políticas, militares e ideológicas contra os países em vias de desenvolvimento. É nessa circunstância e sob essas novas condições impostas pelo neocolonialismo, que os povos explorados e oprimidos pelo sistema imperialista mundial, se organizam através dos Movimentos de Libertação Nacional, na luta pela liquidação do domínio econômico, político e ideológico estrangeiro e a criação do Estado soberano, resolvendo as contradições entre os povos dependentes e oprimidos e o imperialismo.
Dependendo da correlação de forças internas do Movimento - trabalhadores rurais e urbanos, partidos revolucionários, fração da burguesia nacional, pequena burguesia, intelectualidade progressista - do nível de comprometimento do próprio Governo central e das frações reacionárias da burguesia com as forças de dominação externas, o Movimento de Libertação Nacional pode assumir a forma de uma Revolução de Libertação Nacional. No entanto a fração política que assumir a hegemonia no processo de luta pelo poder, conduzirá a Revolução de Libertação Nacional ou pela via capitalista nos marcos de uma revolução nacional-burguesa, como na Índia, Senegal, Nigéria, ou a orientará pelo caminho das transformações socialistas da sociedade, como aconteceu na China, Vietnã do Norte, Coréia do Norte e Cuba.
Nos parece hoje, e isto é uma questão que exige uma discussão entre as forças revolucionárias, que diante do grau a que chegou a internacionalização do capital, a burguesia nacional é alijada do processo de luta pela autodeterminação e pela soberania nacional. Seja porque seus interesses de classe convergem para os interesses do grande capital, seja porque não tem força política que a permita enfrentar uma luta conseqüente contra a ação do capital internacional, seja porque não há alternativa para os povos dependentes de se libertarem da exploração e da opressão imperialista, nos marcos do sistema capitalista nem nos limites de uma nação, pois a libertação de um povo depende da libertação de todos os povos. Hoje, a Revolução de Libertação Nacional é ao mesmo tempo Socialista e Internacionalista.

Indicações para leitura: CHALIAND, Gérard. Mitos Revolucionários do Terceiro Mundo. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1977; LINHARES, Maria Yedda. A Luta Contra a Metrópole (Ásia e África). São Paulo: Brasiliense, 1981; N'KRUMAH, Kwame. Neocolonialismo, Último Estágio do Imperialismo. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1967.

REVOLUÇÃO SOCIAL

Quando observamos a história da sociedade humana, constatamos que as formações sócio-econômicas (conjuntamente formadas pela infra e superestrutura) ao longo do tempo, se sucedem umas às outras. Em determinadas circunstâncias e em determinados espaços, a comunidade primitiva cedeu lugar ao regime baseado na escravidão, o escravismo foi substituído pela formação social feudal, a formação social feudal deu lugar à formação social capitalista. Essas passagens de uma sociedade para um grau mais elevado de desenvolvimento, a substituição de uma formação sócio-econômica mais antiga por uma qualitativamente nova, é chamada na literatura marxista de Revolução Social. É evidente que todas as formações sócio-econômicas, no processo histórico de transformação, não têm necessariamente que passar, por todas essas etapas, sendo possível uma formação sócio-econômica atingir por exemplo o capitalismo, sem conhecer um passado feudal.
Resultante fundamentalmente das contradições entre o nível das forças produtivas e as formas de relações de produção, inclusive pelo o surgimento de novas classes e segmentos de classes sociais que se contrapõem às velhas classe e segmentos, uma Revolução Social (seja ela burguesa ou socialista) entre outras coisas, implica na substituição de uma classe social dominante por outra. Só que para tal substituição é imprescindível a tomada do poder político. Não a tomada do poder político por qualquer grupo ou segmento de classe, mas pela classe social progressista naquele momento histórico. A revolução política identificada pela tomada do poder, cria as condições das transformações, na medida em que reorganiza todas as esferas da vida social, exigindo para isso um período mais ou menos longo. Portanto, iniciada com a tomada do poder, a Revolução Social não se conclui com ela, não termina com a passagem do poder para as mãos da nova classe, inclusive porque as forças reacionárias procurarão por todos os meios restaurar o velho regime.

Indicações para leitura: FERNANDES, Florestan. O que é Revolução. São Paulo: Brasiliense, 1981; KAUTSKY, Karl. La Revolución Social - El Caminho del Poder. México: Siglo XXI, 1978; LÊNIN, V. I. A Revolução Proletária e o Renegado Kautsky. São Paulo: Ciências Humanas, 1979; LORA, Guillermo. Revolução Permanente em Marx, Engels, Lênin e Trotsky. São Paulo: Ched, 1980; LUXEMBURGO, Rosa. Reforma ou Revolução? Lisboa: Estampa, 1970; TROTSKY, Leon. A Revolução Permanente. São Paulo: Ciências Humanas, 1979.

SOCIAL-DEMOCRACIA  

Até a década de 1840, não temos notícias da existência na Europa de qualquer Partido de se autodenominasse Partido Socialista. Só após essa década, é que defensores de uma política que planejava promover algumas mudanças na sociedade que apontassem para a implantação de reformas políticas e sociais que minorassem os efeitos das injustiças e das contradições geradas pelo sistema capitalista, irão se organizar em partidos denominados Partidos Socialistas. Data dessa época também, o surgimento do termo social-democracia que a princípio não se distanciava muito do termo socialista. Ou seja, socialismo e social-democracia significavam a mesma coisa, enquanto que o termo comunismo já representava uma corrente do pensamento que defendia a transformação radical da sociedade.
Por volta da década de 1850, o movimento operário e a fração mais à esquerda do pensamento socialista, começaram a reivindicar a denominação de social-democracia para caracterizar o que havia de mais revolucionário no movimento socialista e operário europeu, sob as duras críticas de Marx e Engels que discordaram do emprego daquele termo para identificar o movimento socialista revolucionário. A partir da década de 1860, surgem em vários países da Europa os primeiros partidos que se denominavam Social-Democratas, entre os quais o de maior influência no movimento operário e socialista foi o Partido Social-Democrata da Alemanha, representante da corrente menos conservadora desses movimentos, passando a se identificar cada vez mais, com o pensamento marxista.
A II Internacional criada em 1889, irá congregar enfim, quase a totalidade dos marxistas que militavam nos Partidos Social-Democratas europeus. Com a eclosão da Primeira Guerra Mundial em 1914, a maioria dos socialistas ligada à II Internacional (Internacional Socialista), passou a apoiar seus respectivos países envolvidos no conflito, abandonando o princípio da solidariedade internacional dos trabalhadores. A minoria contrária a essa tendência, rompeu com a II Internacional e passou a defender a criação da III Internacional (o que só irá acontecer em 1919 sob a denominação de Internacional Comunista) adotando a palavra Comunista para se identificar enquanto tendência revolucionária, ao contrário dos membros da II Internacional, considerados reformistas.
Foi nessas circunstâncias que o termo social-democracia veio definir a fração mais moderada do movimento operário e socialista mundial que abandonou os princípios revolucionários do marxismo (extinção da propriedade privada dos meios de produção, implantação da ditadura do proletariado, destruição do sistema capitalista e a instituição da sociedade comunista), substituindo-os pela defesa da melhoria das condições de trabalho, da conquista da justiça social, nos marcos do sistema capitalista. É neste sentido que a Social-Democracia é entendida até hoje.
Quanto à palavra Socialista, segundo Mário Soares do Partido Socialista Português, continúa a significar transformação da sociedade capitalista e implantação da sociedade socialista. Para o líder do PSP o que divide socialistas e comunistas "não seria nem Marx, nem, talvez, Lênin. O que nos divide é Stalin".

SOCIALISMO

A palavra "socialismo" significava nos inícios do século XIX, projeto de organização de um sistema social baseado na cooperação, mediante a qual se alcançaria a felicidade e o bem-estar de todos, em contraposição à felicidade e ao bem-estar individuais.
Os "socialistas", assim chamados os que nessa época defendiam tal organização social, não chegaram a admitir a existência de antagonismo entre explorados e exploradores, e embora considerassem a existência da exploração dos trabalhadores, não viam essa exploração como elemento intrínseco de um sistema baseado na propriedade privada dos meios de produção, tanto que não advogavam a supressão dessa propriedade, mas sua regulação e limitação. Defendiam a eliminação da herança, dos privilégios, o estabelecimento de um imposto progressivo sobre os ganhos com a propriedade, além da redistribuição da riqueza.
Portanto, "socialismo", "socialistas" não tinham nada em comum com "comunismo", "comunistas". A palavra "comunismo" já significava nessa época um sistema econômico-social para além da simples organização cooperativa da sociedade. Os "comunistas" admitiam o antagonismo entre o capital e o trabalho, já viam "a emancipação da classe operária" como "obra da própria classe operária", sem a intermediação das "classes cultas", nem como concessão das classes dominantes, já consideravam que uma mudança radical na organização social só poderia ocorrer com a abolição da propriedade privada dos meios de produção. É o que esclarece Friedrich Engels no prefácio à edição inglesa de 1888 do Manifesto Comunista: " ... quando foi escrito, não podíamos chamá-lo de Manifesto Socialista. Por socialistas, em 1847, entendia-se, de um lado, os adeptos dos vários sistemas utópicos: os owenistas na Inglaterra e os fourieristas na França, [...] de outro lado, os vários charlatões sociais (Social quacks) que por meio dos mais diversos truques pretendiam remediar, sem qualquer perigo para o capital e o lucro, todos os males sociais."
Com o desaparecimento do owenismo e fourierismo, a palavra "socialismo" embora continuasse preservando o significado de modelo de sociedade em que se alcançaria a felicidade e o bem-estar para todos, seus defensores acreditavam (e ainda acreditam) na possibilidade "remediar" os males do sistema capitalista através de reformas que seriam/serão institucionalizadas pela via parlamentar. Tal concepção de "socialismo" que se difundiu durante a IIa. Internacional - a Internacional Socialista - que se vê enfraquecida com as vitórias do comunismo iniciadas com a Revolução Bolchevique na Rússia, seguida pela implantação do novo regime em vários países da Europa, Ásia, África e América Latina, ganhará novo impulso a partir da desagregação dos regimes comunistas neste fim de século.
Para os comunistas, sobretudo a partir da Revolução Russa de outubro de 1917, "socialismo" passou a significar uma fase dentro da formação social comunista, iniciada com a tomada do poder político pelos comunistas e pelas classe trabalhadora ( nessa fase de transição seria abolida a propriedade privada dos meios de produção, se instalaria a ditadura do proletariado como novo tipo de Estado, seriam criadas as bases materiais para as etapas seguintes.), enquanto a tendência reformista ligada à IIa. Internacional, passou a ser denominada de "social-democracia".

Indicação para leitura: BERNSTEIN, Edouard. Socialismo Evolucionário. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997; BOBBIO, Noberto. Qual Socialismo? Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1983; BRAVO, Gian Mario. História do Socialismo. Lisboa: Europa-Amercia, 1977, vol. 1; ENGELS, Friedrich. Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico. São Paulo: Global, 1985; HARNECKER, Marta, URIBE, Gabriela. Socialismo e Comunismo. São Paulo: Global, 1981; MACKENZIE, Norman. Breve História do Socialismo. Rio de Janeiro: Zahar, 1967. SINGER, Paul. O Que é Socialismo Hoje. Petrópolis: Vozes, 1980; SPINDEL, Arnaldo. O Que é Socialismo. São Paulo: Brasiliense, 1980; VASIN, S. [ et al ]. Comunistas e Sociais-Democratas. Lisboa; Avante! 1975.

SOCIALISMO COOPERATIVISTA

Designação usada para caracterizar a tendência surgida no movimento operário da Inglaterra, a partir da década de 1820. Sob a influência do pensamento de Roberto Owen, parte do movimento sindical dos maiores centros industriais daquele país - Londres, Yorkshire, Birmingham, Liverpool, Glasgow - passaram a defender e até por em prática a instituição de uma sociedade de caráter socialista, baseada em cooperativas de produção e de consumo.
Segundo G.D.H Cole ("Historia del Pensamiento Socialista"), o processo de instituição da nova sociedade teria como ponto de partida, a organização de centrais sindicais de âmbito nacional, que aos poucos iriam organizando cooperativas de produção industrial, sem a presença dos empresários. Os produtos produzidos seriam colocados à disposição dos trabalhadores, que os adquiririam sem a intermediação dos comerciantes, mediante a troca direta desses produtos por "bilhetes de trabalho". Para seus defensores, na medida em que o sistema cooperativo se expandisse de forma autônoma a partir das Centrais Sindicais, o capitalismo iria desaparecendo dando lugar a uma nova sociedade, a sociedade socialista cooperativa.
Aos poucos foram surgindo idênticas organizações entre os trabalhadores rurais que passaram a defender o mesmo modelo alternativo de sociedade, quando a partir de 1834 desencadeou-se uma enorme repressão ao movimento sindical, ocasionando prisões e condenações de seus principais líderes.
Com o conseqüente enfraquecimento e posterior derrota dessa tendência no meio sindical, o movimento operário na Inglaterra optou pela prática política reformista nos marcos da constitucionalidade, alcançando seu momento mais importante com o movimento cartista que defendia, entre outras coisas, o sufrágio universal e o voto secreto.

Indicações para leitura: COLE, G.D.H. História del Pensamiento Socialista. México: Fondo de Cultura Economica, 1957, vol. 1; DROZ, Jacques (Dir). História Geral do Socialismo. Lisboa: Livros Horizonte, 1977, vol 2; HOFMANN, Werner. A História do Pensamento do Movimento Social dos Séculos 19 e 20. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.

SOCIALISMO CRISTÃO

As bases do Socialismo Cristão ou do também chamado Catolicismo Social, encontram-se no pensamento do padre ROBERT DE LAMENNAIS ( 1782-1854).
Propondo reformar o Capitalismo tornando-o mais humano pela harmonização do capital/trabalho, defendia a organização sindical, a justiça social e a aplicação dos ensinamentos cristãos nas relações patrões/empregados, para corrigir os "erros e os males" criados pelo industrialismo.
No final do Século XIX, a própria Igreja enquanto Instituição, irá reforçar a vertente social do pensamento católico, com a publicação da Encíclica RERUM NOVARUM em 1891, pelo papa Leão XIII. A partir daí, o Socialismo Cristão ganha uma maior amplitude, inclusive estimulando a criação de sindicatos e partidos católicos.

SOCIALISMO DE ESTADO

Denominação dada por alguns estudiosos da História do Pensamento Socialista e das Doutrinas Econômicas, às idéias defendidas na Alemanha por KARL JOHANN RODBERTUS e KARL MARLO, segundo as quais ao Estado caberia, além de regular as empresas capitalistas, "proteger" a classe operária contra a exploração da burguesia, regulando as relações e as condições de trabalho. Por meio de concessões de vários benefícios, o Estado deveria garantir o bem-estar a todos os trabalhadores. Por outro lado, o termo também é utilizado por críticos do socialismo real, para caracterizar regimes pós-capitalistas em que o Estado atua em todas as instâncias da sociedade.

Indicações para leitura: COLE, G.D.H. Historia del Pensamiento Socialista. Mexico: Fondo de Cultura Economica, 1957-1963, vol. 2; RADICE, Lúcio Lombardo. Um Socialismo a Inventar (reflexões sobre a via democrática para a transformação da sociedade). Trad. João Roberto Martins Filho e Tânia Pellegrini, São Paulo: Brasiliense, 1982; TAYLOR, Arthur. As Grandes Doutrinas Econômicas. Lisboa: Europa-America, 1972.