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Esta página está sendo criada para atender aos vários pedidos de informações que nos chegam por e-mail, sobre as crises, as desagregações, as alternativas econômicas e políticas vivenciadas pelas sociedades socialistas e de tendências socialistas resultantes dos movimento de libertação nacional. Sob as mais diferentes perspectivas, pretendemos sejam analisadas questões dos conflitos entre povos multi-étnicos de ex-Estados socialistas, dos rumos da economia, das relações econômicas e políticas internacionais, da política, bem como dos próprios princípios do socialismo e do comunismo nas sociedades que fazem parte do Sistema Socialista mundial ou das que estão em vias de construir tais sociedades, após um processo revolucionário pela tomada do poder.
Para isso, lançaremos mãos inclusive de várias discussões ocorridas dentro da própria ex-URSS, ou fora dela, que se verificaram nos inícios da década de 30 - as análises de Leon Trotsky, por exemplo - acerca dos problemas enfrentados pela sociedade soviética e as que surgiram durante e depois da implantação da Perestroika e da Glasnost. Nesse último caso, as reformas propostas pelo Governo Gorbatchov receberam criticas de todo lado: da esquerda, que achava que a Perestroika estava lenta demais e defendiam medidas mais duras; da direita, com denúncias de que "os alicerces do socialismo estavam sendo dinamitados" (afirmações do próprio Gorbatchov em discurso pronunciado em janeiro de 1988, em reunião com editores de jornais, revistas e representantes da rádio e televisão soviéticas). Devemos registrar ainda, que desde sua aprovação no XXVII Congresso do PCUS em 1985, alguns setores da sociedade soviética se opuseram ao programa, temerosos de perderem certos privilégios econômicos e políticos.
Como as crises não foram apenas crises localizadas, isto é, originadas num só país - a União Soviética - mas comuns às sociedades que faziam e/ou fazem parte do Sistema Socialista Mundial, bem como dos que buscam o caminho não-capitalista de desenvolvimento, guardadas as suas especificidades e devidas proporções, tentaremos obter informações sobre as situações internas e as experiências, vitoriosas ou não de outros países como os da África (Angola, Argélia, Guiné-Bissau), da Ásia ( Afeganistão, China, Coréia, Mongólia, Vietnã), da América Latina (Cuba), da Europa ( ex-RDA* , ex-Tchecoslováquia**, Iugoslávia***, Albânia, Armênia, Bulgária, Hungria, Polônia, Romênia, entre outros).
Por outro lado, admitindo que as crises no chamado "socialismo real", influenciando teorias e práticas, foram resultantes de todo um processo que remonta às décadas anteriores e cujos sintomas se mostraram evidenciados em alguns acontecimentos - a crise econômica na República Democrática da Alemanha em 1953, as discussões durante o XX Congresso do PCUS em 1956 da necessidade redirecionamento da economia na URSS, a insurreição na Hungria em 1956, a eclosão da Primavera de Praga na Tchecoslováquia em 1968, a elaboração de um programa de reformas conduzido por Deng Xiaoping na China em 1976, o movimento Solidariedade na Polônia em 1980 - não há como deixarmos de lado algumas tentativas de retornarmos àquelas décadas (se bem que não seja tarefa fácil, por motivos óbvios), que antecederam às mudanças postas em prática nas sociedades socialistas, com grandes e indiscutíveis conseqüências para a história do socialismo e da humanidade.
Pessoalmente não creio no fim do socialismo. As crises, as desagregações, que marcaram e ainda marcam o socialismo real nesses últimos vinte anos, são produtos de êrros teórico-práticos que fazem parte da experiência humana na busca da edificação de uma sociedade sem exploradores e explorados, cuja luta por sua realização ainda faz parte do ideário de grandes parcelas da humanidade; é só olharmos à nossa volta, para além dos limites estreitos de nossa cidadela para constatarmos isso. A luta é constante e permanente, pois o socialismo não é inevitável como não é inevitável o fim do capitalismo. Já o disseram: "não basta ficarmos de braços cruzados esperando que o cadáver putrefato do capitalismo passe sob nossa janela". A construção de uma sociedade socialista é um ato consciente e caberá aos excluidos tomar a história em suas mãos.
Aluizio Moreira
*
a
ex-República Democrata da
Alemanha (RDA) desapareceu depois da reunificação
ocorrida em
1990
** a
ex-Tchecoslováquia deu lugar à
República Tcheca e Eslováquia
nos inícios de 1993
*** a
Iugoslávia, antes formada por uma
federação de seis repúblicas
(Sérvia, Croácia, Eslovênia,
Bósnia-Herzegóvina, Montenegro
e Macedônia), hoje está reduzida à
Sérvia e Montenegro, após
a independência das demais repúblicas ocorrida em
1991/1992.
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