CHINA - Preparando o século XXI
Foi
uma profecia de Napoleão Bonaparte: 'Quando a China despertar, o
mundo estremecerá'. Já despertou. Os índices de
desenvolvimento econômico e o avanço social daquele país já são
impactantes. Mais ainda pela competente incorporação de
conquistas científicas e técnicas capitalistas fortalecendo as
metas estratégicas de um Estado socialista com mais de um bilhão
de habitantes
Neiva Moreira
Retorno de uma viagem à China, que se estendeu a Hong Kong e
Macau, possessões estrangeiras de volta à mãe pátria, como
dizem os chineses, e à Tailândia, onde impera um governo
dominado pelos militares e que ainda não encontrou os caminhos
do desenvolvimento.
Num espaço de tempo de semanas - e nem mesmo meses - seria
impossível conhecer toda uma nova e surpreendente realidade que
envolve aquele imenso país de 9.506.960 quilômetros quadrados e
uma população superior a 1 bilhão e 200 milhões de habitantes.
Mais ainda: onde ocorrem acontecimentos políticos, econômicos e
sociais de importância não apenas para a China, mas para a Ásia
e também para o mundo.
Não há dúvidas de que a profecia de dois séculos atrás, de
Napoleão Bonaparte, que poderia parecer à época utópica e
temerária, está se confirmando. A China está se transformando
numa das grandes potências deste fim de século e isso terá
enormes repercussões no mundo, sobretudo por ser um resultado
obtido sob um regime socialista.
Técnicos relacionados ao Banco Mundial contestam os dados
chineses de que o seu Produto Interno Bruto não supera os 500
bilhões de dólares oficialmente divulgados. Consideram que a
formidável produção que garante a auto-suficiência da China
em muitos campos não é adequadamente medida por suas estatísticas.
Se o fizessem, o PIB do país seria muito superior ao anunciado,
podendo alcançar a casa do trilhão de dólares. Estudos e projeções
estatísticas surgidos na imprensa norte-americana asseguram que
a China será a primeira potência do mundo daqui a 25 anos, ou
seja, no ano 2.020.
"Os especialistas financeiros ocidentais andam agora
exagerando nossos êxitos da mesma forma como superdimensionaram
nossas dificuldades no passado. Eles querem disseminar o medo nos
seus países de que existe uma nova ameaça à vista, o 'perigo
chinês' ", nos diz Li Beihai, subchefe do Departamento de
Relações Internacionais do Comitê Central do Partido Comunista
Chinês.
A
explosão econômica
É possível que ambos os lados exagerem, para cima e para baixo.
As estatísticas chinesas nem sempre se regem pelos padrões
ocidentais. As tabelas de avaliação dos preços dos seus
produtos realmente não são semelhantes. Mas, seja como for, é
impactante o que se pode ver hoje na China. O desenvolvimento
econômico é explosivo. A impressão que se tem é que as
cidades e as vilas estão sendo edificadas de novo ou reconstruídas.
Beijing, Xangai, Nanquim, Wuxi, as cidades que visitamos, são
verdadeiros canteiros de obras. Para onde a pessoa se vire, o que
mais se vê são construções. O guindaste é uma imagem
permanente e até parece ser o símbolo da Nova China.
Pessoalmente, só me recordo de dois exemplos semelhantes, mas
ambos bem mais modestos: a construção de Brasília e a cidade
de Argel, depois do triunfo da revolução.
No momento, há aproximadamente seis mil obras em Xangai: entre
elas, cerca de quatro mil edifícios em construção com mais de
30 andares. Um milhão de operários da construção civil
trabalham nessas obras. A avenida que circunda essa cidade de 13
milhões de habitantes, com imensas obras de estrutura e 48 quilômetros
de extensão, foi concluída há poucos meses. É como se fossem
quase quatro Linhas Vermelhas juntas.
Como símbolo da cidade, a nova torre de televisão, com 468
metros de altura, é a maior da Ásia e do Terceiro do Mundo, atrás
somente de outras similares no Canadá e Rússia.
O
exemplo de Pudong
Há cinco anos, no outro lado do rio Hugngpu, que corta a cidade
de Xangai, havia uma zona agrícola. Hoje, é a nova Área de
Processamento de Exportações de Pudong, construída a partir de
1990 com centenas de novos edifícios, inúmeras grandes fábricas,
inclusive empresas mistas - capitais chineses e estrangeiros.
Marcas famosas de todo o mundo, atraídas pela abertura econômica
chinesa, estão ali presentes.
Pudong é um modelo de relações com o exterior e merece do
governo um tratamento preferencial, comparado ao que é
dispensado às cinco Zonas Econômicas Especiais que, já no próximo
ano, transferirão para o governo central 75% dos seus lucros.
Nessas zonas há redução e isenção de impostos aduaneiros,
comerciais e industriais e sobre a renda e as licenças de
importação e exportação. Permite-se, além disso, conforme
documento oficial, aos investidores externos que "desenvolvam
o setor terciário, como estabelecimentos financeiros, armazéns
e supermercados, fundar bolsas de valores e emitir títulos de ações
em Xangai".
Perto de Pudong, o governo começa a construção de um novo
centro financeiro que, segundo autoridades locais, deve ser o
maior do mundo antes do fim do século. Atualmente, Nova Iorque,
Tóquio e Hong Kong ocupam os primeiros lugares. Apesar de Hong
Kong estar retornando à China, depois de mais de um século de
dominação inglesa, os chineses já preparam Xangai para a
disputa da liderança do mercado financeiro internacional.
Uma
surpresa nas ruas
Quem chega à China procedente dos países ocidentais se
surpreende com o panorama que encontra. Já não nos referimos à
impecável limpeza das ruas, tão precária na maioria das nações
do Terceiro Mundo, incluindo o Brasil. O que mais impressiona é
a ausência de mendigos, de meninos de rua, de populações
abrigadas debaixo dos túneis ou mesmo de assaltantes e pivetes.
Os chineses da atualidade desconhecem essas dramáticas
realidades, comuns em outros países, mesmo nas grandes metrópoles
européias e norte-americanas.
Em recente viagem à China, o ex-governador Leonel Brizola
perguntou a uma autoridade chinesa como o seu governo estava
resolvendo a situação dos meninos de rua. A pergunta criou um
problema para os chineses que não sabiam o que era "meninos
de rua". Um deles, mais velho, se recordou de que uma menina
do interior chegara a Beijing, a capital, sem destino e ficara
algum tempo vagando na estação até ser recolhida e levada a um
internato. Perguntou se era isso que no Brasil se chamava de
"meninos de rua". Na verdade, nada tinha a ver com o
nosso problema, que eles desconheciam.
Em geral, o povo nas ruas está bem vestido, embora quase sempre
de maneira modesta. Os imensos shoppings das grandes cidades estão
cheios de clientes que, como acontece também por aqui, olham
mais do que compram. Brilham os anúncios das marcas
estrangeiras, muitas das quais desconhecidas no Brasil.
Os jovens
O número de jovens vestidos à moda ocidental e ouvintes do rock
é expressivo e já se nota a existência de uma camada social
equivalente à nossa classe média. A diferença está na origem
das pessoas. Há muitos operários qualificados que integram esse
estrato social.
"É natural" - nos diz uma jovem comerciária - "que
tenhamos grande curiosidade pela vida ocidental e gostemos
inclusive de algumas de suas modas e criações. O mesmo ocorre
com jovens ocidentais em relação a nós. Mas a verdade é que
eles e nós temos valores culturais diferentes que não são
afetados pelas novidades ocasionais".
De um modo geral, os jovens são alegres e cordiais e as pessoas
quase sempre esguias e ágeis. Um amigo brasileiro perguntou a
uma senhora como fazem para manter aquela forma. "Na nossa
alimentação usamos muitas verduras e tomamos chá dia e noite.
Fazemos exercícios diários e nossa ginástica nacional, o tai-chi-chuan,
favorece a nossa forma. Mas, sobretudo, a bicicleta contribui
para esse resultado", foi a resposta.
É sensível a ausência de militares nas ruas. Isso não
significa que a China descuida de sua defesa e soberania. Estudos
divulgados na Europa admitem que o governo reduziu o número das
suas Forças Armadas, hoje em torno de três milhões de homens e
mulheres.
Mas, quando se fala com dirigentes chineses, eles são muito
discretos sobre o seu poderio militar que, há muitos anos, já
inclui bombas atômicas e foguetes que põem grandes capitais
como Tóquio e Nova Iorque ao seu alcance. Hoje, passam por um
período de grande modernização técnica, segundo dados
divulgados por institutos especializados europeus.
A vida
comum
E como vivem os chineses das classes mais modestas? Os menores
salários, de 250 a 300 yuans - 1 dólar (EUA) vale 8 yuans - não
explicariam aquele modesto, mas decoroso nível de vida. Ou, se fôssemos
julgar pelos critérios ocidentais, não permitiriam que os
chineses se alimentem, morem, se vistam, estudem e recebam certa
assistência médica com tais salários.
Falei com muitos deles e foi possível tirar a dúvida. A casa
onde moram tem um aluguel simbólico, de dois, três e seis dólares.
Os serviços públicos cobram tarifas mínimas como, por exemplo,
cinco a seis centavos de real a passagem do metrô. A alimentação
é muito barata, se comparada com os nossos preços, e as roupas
também.
Não entro em maiores detalhes, mas recordo que se compra nas
melhores lojas uma boa camisa por quatro dólares, os sapatos
variam de oito a vinte dólares, estes de melhor qualidade e
produtos da indústria chinesa. É natural, portanto, que o salário
dê para manter um nível de vida razoável e ainda permita ao
povo poupar.
A diferença entre o maior e o menor salário é, em média, de
dois a três vezes. Essa diferença salarial tão pequena pode
estar agora em perigo com o novo tipo de remuneração que adotam
as grandes empresas de capitais mistos. Mesmo assim, um empresário
estrangeiro se queixava de que os técnicos norte-americanos não
querem ir para a China, onde os salários são muito pouco
atraentes.
E por que esses preços são tão baixos? O essencial é que o
regime chinês é voltado para a maioria da população. O lucro
é moderado e deve reverter em grande parte à economia pública,
os impostos são irrelevantes, os juros quase inexistentes.
Outra grande diferença pode ser constatada na área de
transportes. Enquanto no Brasil o caminhão domina as estradas, lá,
a navegação fluvial e as ferrovias lideram a movimentação das
cargas. Os trens são excelentes. Viajei em um deles, de Nanquim
a Xangai, em vagões de dois andares, modernos, confortáveis e
higiênicos, que nada ficam a dever aos seus similares europeus.
É impressionante o movimento nos rios e canais. Enormes comboios
cruzam incessantemente nas duas direções. Tudo isso barateia o
custo do frete.
Perguntei a um dirigente do governo municipal em Xangai de onde
vinha o dinheiro para tantas realizações. "A mão-de-obra
é barata, os materiais usados têm preços reduzidos, os
terrenos são públicos e, portanto, gratuitos. Temos, também,
financiamentos externos que sabemos administrar. Estamos com mais
de 53 bilhões de dólares de saldo no exterior", respondeu.
O peso
do turismo
Uma das maiores fontes de ingresso é o turismo. Nos primeiros
sete meses de 1995, cerca de 26 milhões de pessoas visitaram a
China. A maior parte dos visitantes estrangeiros provém do Japão.
Até o fim do século, segundo o Conselho Mundial de Turismo, a
China receberá metade do turismo mundial. Em todos os lados
fervilham turistas, grande parte chineses que vivem no exterior e
também milhões de não-chineses, inclusive norte-americanos e
europeus de todas as procedências.
Hong Kong, Taiwan**1 e as comunidades chinesas do mundo ocidental
estão investindo maciçamente na "pátria mãe".
Ocorre lá o que se passa com muitos portugueses residentes no
Brasil. Ficam ricos e querem deixar sua presença na aldeia
natal, em Portugal, com algum empreendimento.
Os chineses de Taiwan receberam permissão para fazer
investimentos na China continental já no ano de 1988. Os
empreendimentos de Taiwan já superam os oito bilhões de dólares
e nos últimos anos mais de seis milhões de pessoas da ilha
viajaram àquele país. A recíproca não é verdadeira. Há
dificuldades burocráticas para que os chineses do continente
tenham permissão do governo de Taiwan para visitar a ilha.
O fluxo de capital produzido pelo turismo, que deve superar dez
bilhões de dólares este ano, aumenta consideravelmente a
capacidade de investimento do país.
Os
investimentos dos compatriotas do exterior
Por outro lado, o governo incentiva o retorno à China dos
compatriotas que vivem no exterior. Em conseqüência, 30 milhões
já estão voltando à pátria mãe. A lei que estimula esse
reencontro, votada há cinco anos pela Assembléia Nacional do
Povo - o Congresso Nacional -, tem um nome bem ilustrativo. Chama-se
Lei de Proteção aos Direitos e Interesses dos Chineses e seus
Parentes que Retornaram do Exterior.
Segundo Lu Jiaxi, vice-presidente do Comitê Permanente da
Assembléia, 10.896 dos que voltaram já se incorporaram à vida
política do país e foram inclusive eleitos representantes às
assembléias provinciais e 12.438 já integram as entidades
sociais em vários níveis. Eles abriram 26 mil empresas no país,
com um volume de inversão de 72 milhões de dólares, absorvendo
o trabalho de milhares de pessoas. Além disso, já conseguiram,
nas comunidades das nações de onde vieram, investimentos para a
China na ordem de 15 bilhões de dólares.
Esse conjunto de fatores, acrescido de um dado fundamental - o
tamanho do mercado consumidor -, torna os preços chineses muito
mais baratos. É diferente produzir 10 mil camisas do que um milhão.
É uma questão de escala, com repercussão nos custos.
A
situação no campo
Guo Yan Zeng é um alto funcionário do governo já a caminho da
aposentadoria. Ganha para o padrão chinês um bom salário, 650
yuans, menos de 80 reais. Sua mulher Li aposentou-se com 450
yuans, menos de 60 reais. Compraram agora a casa de três quartos
e sala, com pouco mais de 70 metros quadrados, que alugavam há
muitos anos por 25 yuans, ou seja, em torno de três reais. A
casa foi comprada por 13.000 yuans, isto é, menos de 1.700 reais.
Atualmente, o governo facilita e estimula a aquisição da casa
própria.
A vida no interior, segundo depoimentos que colhemos, é mais
tranqüila, mas com menos possibilidades de melhoria econômica.
Nas cidades, cada pessoa já dispõe, em média, de 7,5 metros
quadrados para morar (contabilizando só a área dos quartos de
dormir). O governo espera aumentar logo esse espaço para 10
metros quadrados. No interior essa área é de 21,8 metros
quadrados.
O presidente da República, Jiang Zemin, anunciou que 900 milhões
de metros quadrados de habitações populares serão construídos
ao longo do IX Plano Qüinqüenal (1996-2000) e destinados às
famílias de baixa renda. O projeto é vendê-las ao preço de
custo (no Brasil seria simbólico) de 120 reais, com prioridade
para as famílias do interior. Essa não é, no entanto, a única
vantagem de viver nas aldeias. Para reter as populações no
campo, o governo estimula salários mais altos do que nas cidades
e protege a agricultura.
Ultimamente, para evitar o êxodo rural, estão levando as fábricas
às aldeias e intensificando a construção de residências ao
lado das lavouras. São conjuntos habitacionais imensos, de vários
andares, com escolas e outros serviços públicos. Pelo menos a
metade da mão-de-obra das novas fábricas deve ser recrutada no
local. Já há centenas de indústrias instaladas no campo, mas
isso não impede a atração das cidades, embora 80% da população
permaneçam vivendo no interior. O governo se esforça para que
essa percentagem não se altere.
Observadores internacionais acham que sobe a milhões o número
de pessoas do que eles chamam a "população móvel" da
China, que transita de uma cidade a outra, atendendo às
facilidades de ocupações temporárias (colheitas, obras, etc.),
ou mesmo porque estão desempregadas. Em 1994, estava em torno de
dois por cento o nível de desemprego, relacionado com esse setor
da população.
Um dos desafios futuros, que agravará essa situação, será dar
trabalho e alojar milhões de operários, muitos vindos do
interior, que estão agora empregados na construção civil
urbana. O governo declara-se tranqüilo. Considera que os
gigantescos projetos econômicos em execução vão continuar
pelo próximo século em outras áreas do país, promovendo novos
grandes empreendimentos que absorverão a mão-de-obra disponível.
Afinal, já foram criados nos últimos 15 anos cerca de 100 milhões
de empregos.
Um país
cultivado
A agricultura chinesa merece um estudo especial. Cortamos de trem
e caminhonete centenas de quilômetros do interior e não vimos
terras abandonadas. Estão todas cultivadas. São colhidas duas
safras de arroz por ano, o dobro do que aqui conseguimos.
Cooperativas e armazéns estatais comercializam a produção e
asseguram preços justos aos agricultores, que poderão dispor
livremente dos seus excedentes.
A reforma agrária foi concluída em 1953, quatro anos depois da
vitória da revolução. Com exceção de algumas regiões de
minorias nacionais, as terras foram distribuídas e os latifundiários
expropriados. Isso explica a importante contribuição da
agricultura na solução dos problemas econômicos da população,
cuja imensa maioria é camponesa.
É evidente que percorremos uma região desenvolvida, entre
Beijing, Nanquim e Xangai, que produz cerca de 40% da riqueza
nacional. "Não esqueçam que há áreas do país em que a
situação não é esta", nos lembrou Wang Liping, secretário
do Comitê Municipal do PC em Xangai. "Temos muitos
problemas, inclusive na saúde pública."
Quando visitamos, numa comunidade perto de Wuxi, província de
Jiangsu, um ambulatório de medicina tradicional, o aspecto não
diferia muito dos nossos serviços da Previdência. "É o
que lhes dizia: temos muitos problemas, nesta área e outras."
Na educação, a obra realizada é imensa, mas ainda há muito o
que fazer. Embora não se conheçam dados oficiais, calcula-se em
mais de 100 milhões o número de analfabetos, a grande maioria
deles camponeses adultos das áreas mais distantes do país. Até
o fim do século, o governo espera modificar essa situação.
Para isso, um ambicioso plano de erradicação do analfabetismo
está em curso.
O povo se orgulha de, com sete por cento de terras aráveis do
mundo, alimentarem mais de um bilhão de pessoas, 22% da população
do Planeta. Na verdade, esse setor ainda necessita de algumas
importações.
As
regiões mais pobres
A China tem, também, o seu Nordeste ou seu Vale do
Jequitinhonha, sobretudo nas áreas fronteiriças do norte e
oeste, no Tibete e na Mongólia interior. São regiões pobres
que estão exigindo do poder público enormes investimentos. Há
irredentismo ali? Em Beijing se considera que não e no exterior
que sim. Para os porta-vozes do governo, não há problemas
maiores no Tibete, o qual, dizem, pertenceu historicamente à
China. Hoje, acrescentam, a resistência se limitaria ao grupo
religioso do Dalai Lama, sem liderança interna.
Nas regiões vizinhas às repúblicas islâmicas da ex-União
Soviética, como Xingiang Uigur, apontada no Ocidente como
inquietas, a situação é considerada tranqüila, assegurando-se
ao país como um todo um quadro de normalidade e união. Isso não
impede que se reconheça que os problemas administrativos e econômicos
daquelas áreas reclamam maior presença do governo central.
Na sua última reunião, o Comitê Central do PC chinês anunciou
medidas para amenizar as diferenças regionais, reorientando a
localização de muitos investimentos. Hai Wen, um economista
liberal (eles também estão por lá), vice-diretor do Centro de
Pesquisas Econômicas da China, considerou positivas as medidas,
louvando o Partido Comunista por preferir usar nessa política
"as forças do mercado em vez de simples medidas
administrativas".
Wang Zhaoguo, membro do Comitê Central e presidente do órgão
que lida com as minorias étnicas, disse, na comemoração dos 40
anos de fundação da Região Autônoma de Xigiang Uigur, que a
criação dessas regiões foi um fator-chave decisivo para manter
a harmonia e o desenvolvimento dessas áreas.
"Há forças estrangeiras que estão tentando inflamar
sentimentos étnicos para romper a paz e dividir a nação
chinesa", declarou Wang recomendando máxima vigilância de
todos contra essa campanha.
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